sábado, 4 de agosto de 2007

BOFFO! de Bill Couturié - Uma superficial visão da finalidade artística dos filmes em Hollywood.



Afinal, para que servem os filmes?
O que fazem os fazem bons ou ruins? Todos os filmes têm um valor artístico?

Ora, nem todo filme francês ou italiano é provido de um valor artístico relevante. E nem todo filme hollywoodiano pode ser considerado desprovido desse valor.

Mas o que Boffo! Tinseltown´s Bombs and Blockbusters (2006, diridigo pelo documentarista Bill Couturié) nos mostra é que tanto para a imprensa especializada americana quanto para seus para atores, produtores e diretores, o que realmente importa é aquele soldo básico nascido da subtração de custos e faturamento: o lucro.

O engraçado é que na realidade o que se tenta explicar a todo custo é "o que fazem os filmes darem certo".
Mas é óbvio que pelo caminho sugerido pelo filme nunca se chegaria a uma conclusão sensata, talvez nem exista um caminho sensato para seguir.

De todos os entrevistados - e diga-se de passagem pessoas como Robert Evans (o homem por trás do Poderoso Chefão), Morgan Freeman, Danny DeVito, Jodie Foster, Sydney Pollack, Francis Ford Copolla, Brian Grazier, todos figuras chave do cinema americano desde a decada de 70 - o único que toca no assunto "valor artístico" ou "contribuição artística" é George Clooney, não por acaso um grande responsável por alguns dos filmes mais relevantes do mainstream americano (Solaris, Boa Noite, Boa Sorte, Syriana, Confissões de Uma Mente Criminosa).

O que parece importar para todos se resume em entretenimento puro e simples. Não que seja um fim injusto para o cinema até porque a sétima arte nasceu para oferecer diversão pura e simples, mas condensar ou negligenciar as outras dimensões da película é subestimar demais a sua força e importância social, cultural e até econômica.

Filmes como Tubarão, O Poderoso Chefão, A Fogueira das Vaidades, Dança Com Lobos ou Conduzindo Miss Daisy não podem ser simplesmente analisados de um ponto de vista de "sucesso de público" até por que alguns desses filmes (como A Fogueira das Vaidadaes) e outros citados durante o documentário (Um Sonho de Liberdade) foram fiascos nas bilheterias (são os tinseltown´s bombs do título) e nunca deixaram de ter seu valor: o tempo tratou de coloca-los em seu devido lugar na historia de cinema.

Obras como Titanic são comentadas como acima do bem e do mal. Não que seja de todo ruim pois ele tem muitas qualidades, mas muitos defeitos também e visivelmente aparentes: roteiro nada criativo permeado de clichês e personagens caricatos o que piora sem uma direção de atores que os dê mais expressividade e nos ajude a engolir mais facilmente o conto de novela mexicana a qual o filme se resume. James Cameron foi essencialmente técnico neste trabalho e nunca mereceu o oscar de melhor diretor (o prêmio de produtor já foi mais que merecido). Mas como Titanic arrecadou a fortuna de mais de U$ 1bilhão, ele é tratado como o sonho de qualquer realizador hollywoodiano.

Quem viveu ou até teve a oportunidade de ver os grandes filmes dos anos 70, "a época em que os internos dirigiam o hospício" como disse George Clooney, não entende como Titanic pode se igualar a filmes como os já citados Tubarão e O Poderoso Chefão ou Um Dia De Cão, Chinatown, Dr. Fantástico, Trama Macabra, Taxi Driver dentre tantos outros sucessos de bilheteria mas que, mais do que arrecadar milhões, conseguiram oferecer uma experiência única em termos de cinema.

Não acredito que as três perguntas lançadas no início do texto tenham uma resposta única mas uma coisa é certa: o que Boffo! tenta explicar e não consegue é que Hollywood deveria tratar o cinema de uma forma mais educada.

Título: Boffo! Tinseltown´s Bombs and Blocbusters
Diretor: Bill Couturié
Ano: 2006

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