quarta-feira, 6 de junho de 2007

Seven, de David Fincher - Clássico moderno


Falar de Seven – Os Sete Pecados Capitais pode nos dar certa sensação de nostalgia, sensação por vezes nada agradável.

Já revê-lo é um exercício que gratifica e inspira, pois ao passar desses 12 anos, a força da película de David Fincher ainda permanece a mesma, seja pelo bem ou pelo mal.

Pessimista e até apocalíptico, o mundo impiedoso e cruel criado por Fincher faz o personagem vivido por Morgan Freeman sustentar que nem pôr um filho nesse mundo seria uma decisão sensata. E até concordamos com ele.

Todas as pretensões da obra podem ser mais bem observadas agora. Passados os anos e ocupando uma posição de clássico moderno o filme ainda continua chocante, tanto pelo o que é visto quanto ao que está oculto, que é onde reside o seu grande e poderoso trunfo, pois ele, o oculto, apenas é medido por nós ou por nossa imaginação: durante todo o filme tentamos, com repulsa, visualizar o momento exato dos assassinatos, o que nunca é mostrado.

Os personagens centrais são aparentemente caricatos, mas da mesma forma que agem como arquétipos típicos do gênero, se distanciam desse mesmo com diálogos e situações que definem a força de suas personalidades, paradoxais entre si, criando um duelo paralelo à trama principal sem, contudo, tira-lo de foco.

Seu clímax acabou por se tornar conhecida por seu final tão imprevisível quanto maquiavélico, mas isso nunca tirou a sua virtude de possibilitar revisões e de se tornar uma referência talvez para toda a história do cinema. Mesmo que a ela falte (e só com o passar dos anos podemos, então, perceber) a contribuição plena da ousadia estética do diretor que só viríamos em total ação em trabalhos posteriores. Sua câmera ainda é tímida, correta na composição dos planos e reforçada com todo vigor pela assustadora fotografia de Darius Khondji (ganhador do importante prêmio do CFCA Award, da associação de críticos de Chicago) e pela magnífica montagem de Richard Francis-Bruce (a primeira montagem 100% digital a ser indicada ao Oscar).

Fincher se tornou um estilista da imagem em movimento. Vindo do universo dos videoclips (Madonna, Aerosmith, Paula Abdul) ele sabe como compor um plano sedutor, mesmo que tenebroso também se encaixe como adjetivo. Suas habilidades na construção de cenas de impacto e nada convencionais foram logo percebidas em Alien³, de 1992, seu primeiro longa. Com Seven, Vidas Em Jogo (The Game, 1997) e o polêmico Clube da Luta (Fightclub, 1999) ele se afirmou como diretor no mainstream juntamente com os colegas Steven Soderbergh (Irresistível Paixão, Traffic) e Brian Singer (Os Suspeitos, O Aprendiz), este último acabando por se tornar bem desinteressante. Trabalhou como produtor em diversos projetos, se destacando pela serie de curtas The Hire (2001), uma coleção de 8 filmes com finalidade publicitária para a BMW. Realizou ainda como diretor o mediano, porém, interessante Quarto do Pânico (Panic Room, 2001) e o recente Zodíaco (Zodiac, 2007).

Seven – Os Sete Pecados Capitais foi bem recebido e premiado em vários festivais e ainda indicado ao Oscar de melhor edição em 1996. Ainda foi vencedor do Golden Trailer Awards de melhor trailer da década.

É referência do cinema americano dos anos 90 e um marco no cinema de horror, talvez um exemplo ímpar e singular demais para compará-lo ou imitá-lo.

Título: Seven – Os Sete Pecados Capitais Diretor: David Fincher Roteiro: Andrew Kevin Walker
Elenco principal: Brad Pitt, Morgan Freeman, Gwyneth Paltrow, R. Lee Ermey e Kevin Spacey.
Montagem: Richard Francis-Bruce Dir. Fotografia: Darius Khondji Música Original: Howard Shore

Galeria


Brad Pitt e Morgan Freeman em frente a camera.


Gwytneth lindamente iluminada.


Fotografia do set: cena pertubadora.


Peça criada para o Design de Produção.


Peça do storyboard.


O clímax
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