
Falar de Seven – Os Sete Pecados Capitais pode nos dar certa sensação de nostalgia, sensação por vezes nada agradável.
Já revê-lo é um exercício que gratifica e inspira, pois ao passar desses 12 anos, a força da película de David Fincher ainda permanece a mesma, seja pelo bem ou pelo mal.
Pessimista e até apocalíptico, o mundo impiedoso e cruel criado por Fincher faz o personagem vivido por Morgan Freeman sustentar que nem pôr um filho nesse mundo seria uma decisão sensata. E até concordamos com ele.
Todas as pretensões da obra podem ser mais bem observadas agora. Passados os anos e ocupando uma posição de clássico moderno o filme ainda continua chocante, tanto pelo o que é visto quanto ao que está oculto, que é onde reside o seu grande e poderoso trunfo, pois ele, o oculto, apenas é medido por nós ou por nossa imaginação: durante todo o filme tentamos, com repulsa, visualizar o momento exato dos assassinatos, o que nunca é mostrado.
Os personagens centrais são aparentemente caricatos, mas da mesma forma que agem como arquétipos típicos do gênero, se distanciam desse mesmo com diálogos e situações que definem a força de suas personalidades, paradoxais entre si, criando um duelo paralelo à trama principal sem, contudo, tira-lo de foco.
Seu clímax acabou por se tornar conhecida por seu final tão imprevisível quanto maquiavélico, mas isso nunca tirou a sua virtude de possibilitar revisões e de se tornar uma referência talvez para toda a história do cinema. Mesmo que a ela falte (e só com o passar dos anos podemos, então, perceber) a contribuição plena da ousadia estética do diretor que só viríamos em total ação em trabalhos posteriores. Sua câmera ainda é tímida, correta na composição dos planos e reforçada com todo vigor pela assustadora fotografia de Darius Khondji (ganhador do importante prêmio do CFCA Award, da associação de críticos de Chicago) e pela magnífica montagem de Richard Francis-Bruce (a primeira montagem 100% digital a ser indicada ao Oscar).
Fincher se tornou um estilista da imagem
É referência do cinema americano dos anos 90 e um marco no cinema de horror, talvez um exemplo ímpar e singular demais para compará-lo ou imitá-lo.
Elenco principal: Brad Pitt, Morgan Freeman, Gwyneth Paltrow, R. Lee Ermey e Kevin Spacey.
Galeria
Brad Pitt e Morgan Freeman em frente a camera.
Gwytneth lindamente iluminada.
Fotografia do set: cena pertubadora.
Peça criada para o Design de Produção.


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